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Correspondência Trocada V

by em 30/11/2011

Os primeiros textos produzidos durante a residência artística no Estabelecimento Prisional do Linhó começam agora a vir a lume

Guerra puxa guerra

Querendo sem vontade de olhar para trás.
Será?
Estava instalada uma paz muda
que gritava sem se ouvir.
Em busca, procurando por ouvidos
ouvidos moucos que sem querer escutam
o silêncio vindo de dentro
Enquanto isso nasce o sol
Vem aquecer os corpos frios se sangue fervente
Dentro do arco-íris é tudo colorido
Cores que ninguém vê
ninguém vê como o sol termina com ele
começando por ofuscar a luz que brilha apagada
A luz apagada no peito de quem chora

Espreito através da parede
Na janela atrás do cortinado transparente
que reflecte o sossego
Tumulto.
O medo palpável roça na pele que despida se arrepia
Quando por magia a paz termina
a escuridão ilumina quem faz noite do dia
A luz brilha… apagada
nas nuvens brancas e claras sem pés
para se manterem em pé
rasteja na imaginação de uma palavra que nada diz

II

Tudo acaba, quase nada se perde
Vagueia através dos pensamentos
inimagináveis pensamentos
coisa mesquinha que de tanta importância ninguém a escreve
A roda da vida não pára de girar… gira sem parar
Corre para chamar quem já não se encontra
Sem se encontrar gira
Gira perdida a vida
A vida roda na gíria da morte
A morte que sem fazer barulho grita
Alguém a ouve e corre, corre sem parar
Ofegante, a tremer, tropeça
Sem ajuda, desamparada de quem ignora
Levanta-se e arrasta-se no vento
Com a força de um raio de luz apagada
Até que por fim a paz…
A paz abraça a morte

III

Gatilhos premidos, roubam vidas
Vidas perdidas, gatilhos frios
Tão frios que congelam almas
E a vida nada vale, vale tudo…
Jogar sempre! Perder, ganhar, viver
Enquanto uma alma cambaleia no vale da morte
Sem saber da sorte caminha
Em direcção ao inferno que tem as portas abertas
Sofrimento, dor, agonia!
Quem diria? A mágoa… mágoa
que controla e manipula
E o personagem desaparece numa nuvem
E a vida!!!

IV

A vida vive-se…
Sempre em direcção única
Com um propósito único
unicamente encontrar paz numa bala
Uma única bala que penteie uma vida
Uma única vida…
Como uma veia que serve o coração
Bombeia, bombeia
A força da vida
Qual veia de pedra partida
Que de nada serve
Quem quer que viva. Viva!
Viva com a esperança
De numa palavra que escala
As cataratas sem rio
Viva sem medo. Viva…

Russo


Retrato

Fugi do retrato que recorda
um sorriso infantil
a mais de vinte anos de distância
Um carro amarelo e uma árvore
a minha rua, o meu bairro

Já passaram tantos anos
e eu ainda aqui estou

Não és tu que estás mais velha
eu é que cresci
flores que não te dei
esperaste e falhei

Eu pago pelos teus erros
mas tu não pagas pelos meus

Rui Tiago “Chita”

sem titulo
O pensamento distante vagueia ansiosamente à procura da tão desejada paz que não encontra. O sofrimento é lento e cruel nas noites frias da solidão. Sou livre até onde os meus olhos alcançam e até onde a minha mente me deixa. Sinto um nó apertado na garganta e mal consigo respirar de tanto sufocar. Encurralado por todos os lados, conversando com a paciência, sonhando com o tão esperado momento em que tornarei a sorrir por dentro.

Edgar Santos

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