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Arriscar a Pele – O dia do Palíndroma 11-11-11

by em 12/11/2011

Há coisas que só acontecem a cada 100 anos e às vezes estamos a olhar para o tecto quando devíamos estar cá fora.
Vivemos uma época extraordinária, mudámos de século, passámos para outro milénio quase sem um único arranhão e agora ainda nos queixamos.
Não se pode ter uma vida assim tão interessante e continuar de boa saúde. Ou se trabalha ou se vive com o vento a assobiar nas orelhas.

Interlúdio
“Hoje acordei com um arranhão na testa
devo ter sonhado com gatos
ou se calhar dormi com alguma gata
na cama sem saber”

Onde é que estava às 11:11 desta manhã dia 11 de Novembro do ano da Graça de 2011?
O diálogo que se segue aconteceu na prisão do Linhó, mas foi da parte da tarde. Não consigo precisar exactamente a hora, de resto, a maior parte dos dispositivos electrónicos não são bem vistos cá dentro. É preciso ter cuidado com o que se traz à vista.
Mas o Linhó já não é o que era, agora é só meninos. As raposas velhas desapareceram da vista.

Éramos cinco à volta de dez livros, poesia, crónica, contos, policial e um livro de Análise Diferencial.
O método era simples, cada um escolhia uma frase do livro que tinha à mão. Depois lançava a frase para o grupo e alguém respondia ou pedia esclarecimento ou mudava de assunto. A regra era manter a tensão verbal e subir a parada sempre que possível.
Eis uma versão adaptada do primeiro ensaio:

Eu e o meu irmão fazemos anos em Dezembro
Há poucos pais a fazer os filhos felizes
O amor, é antes um retorno a si mesmo
Acredito que não sejam todos os casos

À minha maneira fiz tudo para não voltar aqui
E são estas as condições para que seja possível
Tudo fiz, mas sem sucesso
E agora, aqui fico
Só resta procurar a solução geral

As árvores são poemas que a terra escreve
Vai-te embora
Diga lá outra vez.
Hei-de dar-te uma prenda
Diga lá
Tive um segundo nascimento quando a minha alma e o meu corpo se apaixonaram
Deram-me uma mensagem para entregar a um general
O grande parvo

Quando andas ao sol só vês a tua sombra
O sol é feito de gás, pode explodir a qualquer momento.
Eles casaram e casaram no mês de Outubro
Folgo em saber que tudo corre bem
Ele era um homem que não sabia sequer acender um cigarro

É melhor não apresentar tanta intimidade connosco
Se não for já tarde demais
Foi o vento que rasgou o véu da noite
Todos molhados pusemo-nos a dançar no meio da praia
Logo vi que era uma maluca
Graças a ela, estava agora mais animado

Poderíamos seguir por outro caminho
Caminhámos por entre as árvores
Fiquei até com dor de cabeça
Esta prisão até não é má
só é pena a parede que me separa
do meu companheiro do lado

11-XI-2011

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