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26.10.11 no Bairro da Boavista

by em 11/11/2011

Já lá tínhamos estado, e depois de uma pequena conversa com o Sr. Melo na festa do Bairro, não podíamos deixar de voltar à sua farmácia, para com o Sr. Melo a conhecer e a sua história saber!

A Cinara, Joana e Núria, juntava-me em mais uma descoberta!

Sr. Melo foi o fundador da 1ª farmácia do Bairro da Boavista. Antigo Director do Laboratório Farmacológico de Lisboa, foi quando se reformou, (“ia ficar em casa a fazer o quê?!”), que decidiu abrir a farmácia no Bairro da Boavista. Ainda no “tempo das barracas” Sr. Melo montou sozinho um pré-fabricado, a actual Florista e Cabeleireiro da Sofia, que abriu portas há 20 anos atrás.

Agora com novas e modernas instalações no edifício fronteiriço ao pré-fabricado, Sr. Melo deu a conhecer a estas Jovens os cantos à casa: entre prateleiras, gavetas e letras do alfabeto, demonstrou como se organiza uma Farmácia e o seu funcionamento. Redrate, clinac, benouron, betadine, aspirina, pastas de dentes, papas para bebés (Cinara exclamava: “ah, eu comia muito disto!”), etc., enchiam as paredes da farmácia! Ficamos a conhecer a “Bíblia dos Farmacêuticos”, com todos os medicamentos que se podem usar em todo o mundo: “Às vezes chegam aí estrangeiros que estão aqui no parque de campismo, e vêm aqui à farmácia perguntar “Ah, queríamos comprar um medicamento” e dizem o nome do produto lá na terra deles e eu vou aqui e vejo através do livro o nome em Portugal. Entre os Farmacêuticos é conhecido pelo Martindale, nome do autor do livro, farmacêutico norte-americano”.

Chegadas ao intitulado “armazém do lixo” pelo Sr. Melo, espaço dedicado aos livros da contabilidade e escrita da farmácia, Cinara descobriu uma “máquina dos olhos”. Sr. Melo explicou que era uma máquina de verificar os óculos e, quando interpelado por Cinara com “Eu venho cá comprar uns óculos destes!”, respondeu alegremente “Tu não precisas, estes óculos são para vista cansada, para velhos como eu!”. “O Sr. Melo não é velho, é idoso”, respondia Cinara, e completava “pensava que a farmácia era pequena…”.

Após os diversos corredores e divisões da farmácia, chegamos ao seu gabinete e foi neste espaço acolhedor que o Sr. Melo contou e encantou com algumas histórias suas no Bairro da Boavista! O gabinete tinha todas as paredes decoradas com fotografias de familiares, vistas do Bairro e dos seus estagiários. Muito orgulhoso, Sr. Melo explicou a Cinara, Joana e Núria, o que era um estágio e como todos os anos recebia alunos finalistas da Faculdade de Farmácia para aqui realizarem o seu estágio profissional. E foi ainda com mais orgulho que falou do seu estagiário prodigioso, motivo de artigo no último número da Revista das Farmácias, que se encontra neste momento a desenvolver o 1º fígado artificial, vivendo e trabalhando na área de investigação nos Estados Unidos. Contou-nos ainda que lhe deu a nota mais elevada até hoje, 18 valores!

Quando interrogado por Núria se gostava do Bairro, Sr. Melo respondeu “Gosto, gosto, senão já me tinha ido embora! O nosso bairro, eu digo o nosso, na pessoa que não sou de cá, mas já é meu também… o nosso bairro podia ser o mais bonito de Lisboa porque não há nenhum bairro encostado a Monsanto como o nosso, é um bairro que está num local privilegiado de Lisboa! Vamos fazer do Bairro da Boavista o bairro mais bonito de Lisboa.”

Entre diversas aventuras no Bairro contou aquela que considera “uma das histórias mais bonitas da minha vida! A D. Natalina tinha uma ferida na perna, uma úlcera varicosa e andou muitos anos com pomadas e pomadinhas. Ela veio aí e eu pensei, vou fazer uma pomada à D. Natalina, feita por mim, de óxido de zinco.”. E assim Sr. Melo com a sua vasta experiência, fez um boião de pomada para oferecer à D. Natalina. “Um dia aparece aí com a perna tratada (…) e disse-me “Venho pagar-lhe a pomada que o Sr. Dr. me deu.” E tirou a mão detrás das costas e deu-me uma rosa branca, dizendo “É da cor da pomada que o Sr. Dr. me fez”. Foi a melhor paga que tive até hoje!”. Cinara observou “Rosa branca significa paz!”.

Deliciámo-nos com imagens antigas do Bairro e da farmácia, Sr. Melo referiu como queria fazer um blogue da farmácia e entre fotografias e medicamentos, saímos a conhecer a alma farmacêutica do Sr. Melo tão necessária, imprescindível e amada por todos os moradores do Bairro da Boavista!

Após esta longa descoberta, voltávamos ao Ser Maior, e ainda reunidos com todo o grupo vimos quem faltava entrevistar!

Em mim, ecoam as palavras do Sr. Melo – “O nosso bairro, eu digo o nosso, na pessoa que não sou de cá, mas já é meu também…”. Porque um bairro não é só dos moradores, dos habitantes, um bairro é de quem o sente e estima como tal!

O Bairro da Boavista… o nosso Bairro da Boavista!

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