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as freguesias e a amizade

by em 27/10/2011

A seguir ao 25 de Abril o Palácio Monte Real, já propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, foi ocupado pela comunidade com o propósito de o tornar num centro de convívio. O espírito da sua origem mantém-se. Os cerca de 100 utentes do Centro de Dia, de segunda a sexta-feira, encontram-se no antigo palácio. Conversam, jogam, almoçam, participam nas actividades que o Centro oferece. São pessoas das diferentes freguesias vizinhas: Castelo, Santo Estêvão, São Miguel, Sé e Santiago.

Nas minhas primeiras visitas e em conversas com os idosos percebi que estes estão muito satisfeitos com a sua frequência do Centro. A dona R., com cerca de 80 anos, passava os dias sozinha em casa, contou-me que perdeu a vontade de fazer coisas, e que antes de ir para o Centro de Dia chegou ao ponto de não sair da cama o dia inteiro. A solidão e o isolamento são sentidos por muitos idosos. No Centro de Dia da Sé, existem grupos de colegas ou amigos. Hoje em dia a dona R. tem no Centro amigas, é uma senhora sorridente e bem-disposta. Conversámos sobre a amizade, sobre a importância dos amigos, uma “verdade, verdadinha…” segundo a dona R..

precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia. Este resto de vida (…), que eu julguei já ser um excesso, uma aberração, deu-me estes amigos. E eu que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas da contigência da coabitação, um certo ir obedecendo, ser carneiro. eu precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de amizade

Também Simone de Beauvoir afirma que já se tem dito, a nossa vida é uma morte gradual. Com certeza que não. Um paradoxo deste tipo não considera a verdade mais básica da vida – a vida é um sistema instável no qual o equilíbrio é continuamente perdido e continuamente recuperado: a inércia é sinónima de morte. Mudança é a lei da vida.

e por falar em amizade…

Não apenas entre idosos se fazem novos amigos. No dia 28 de Setembro houve no Espaço Santa Casa da Misericórdia na Rua do Carmo no Chiado uma comovente conversa sobre o voluntariado na terceira idade. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) promove este tipo de voluntariado como processo de redução da exclusão social dos idosos e como uma importante ajuda no processo de envelhecimento. Os voluntários que contribuíram para a conversa eram desde jovens a reformados, falaram da enorme gratificação que sentiam ao fazer companhia a idosos sobretudo aos fins-de-semana quando estão mais isolados em casa, falaram do voluntariado como um espaço de afectos, sobre o cuidado e da dificuldade que tem ao falar de futuro com idosos. Deram também testemunhos alguns idosos que tiveram ou têm experiência com voluntários. A dona Maria Emília contou com um ar feliz a “seu” voluntário era como uma amigo, que não tinha ninguém e que sabia que ele nunca faltava aos Domingos. Se alguém quiser fazer um amigo mais velho, mais informações aqui.

nunca teria percebido como um estranho nos pode pertencer, fazendo-nos falta. não era nada esperada aquela constatação de que a família também vinha de fora do sangue, de fora do amor ou que o amor podia ser outra coisa, como uma energia entre pessoas, indistintamente, um respeito e um cuidado elas pessoas todas

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